Transformações do financiamento internacional ao desenvolvimento:
debates e tensões a partir da Economia Política Internacional na pós-crise global de 2008
Palavras-chave:
economia política internacional, financiamento ao desenvolvimento, financeirização, arquitetura financeira internacional, sustentabilidade.Resumo
A crise financeira global de 2008 constitui um ponto de inflexão no financiamento internacional ao desenvolvimento, associado a mudanças na Arquitetura Financeira Internacional (AFI) e nos mecanismos de provisão de recursos para os países em desenvolvimento. A partir da perspectiva da Economia Política Internacional (EPI), este artigo analisa as transformações nos instrumentos, atores e instituições do financiamento ao desenvolvimento no período posterior à crise. O trabalho se insere nos debates do campo sobre a relação entre poder, mercados e instituições (Cohen, 2008; 2022) e nas contribuições que examinam essas dinâmicas a partir da América Latina (Tussie, 2015). Com base nesse marco analítico, examina-se a expansão da financeirização do desenvolvimento e a reconfiguração do papel das instituições financeiras internacionais, particularmente a partir do conceito de Wall Street Consensus (Gabor, 2021). Além disso, discutem-se as implicações das agendas internacionais relacionadas à sustentabilidade, à transição energética e às mudanças climáticas (Cadman e Sarker, 2022), bem como as tensões associadas aos padrões extrativistas de inserção internacional na América Latina (Acosta, 2020). O artigo sustenta que essas transformações se articulam com as estruturas existentes da AFI e tendem a reproduzir assimetrias no sistema internacional.
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